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Carta para Júlia!

9 nov

A Julinha vai completar sete meses e eu não resisti, escrevi uma cartinha pra ela e vou compartilhar com vocês:

“Filha, meu amor,

Se você soubesse como sonhamos com você enquanto estavas crescendo na barriga da mamãe… Ficávamos imaginando seu cheirinho, o sorrisinho mais lindo e conquistador do mundo, o tom da sua pele, seus cabelinhos, os olhos… Eu e o papai conversávamos com você, cantávamos e contávamos histórias. Isso tudo durante a sua espera.

A mamãe teve enjoos até o final, mas todos os dias eu repetia: – isso está acontecendo porque você não terá nenhuma dorzinha (como se já pudéssemos ser super-heróis antes mesmo de você nascer). Pais são assim, querem proteger. E deu certo!

A gente te amou quando a mamãe descobriu que estava grávida. Te amamos quando o obstetra falou repentina e inesperadamente na 13 semana: – OLHA! Uma perereca!

Pulamos de alegria e beijamos o doutor. Eu não parava de admirar as roupinhas de meninas e vestidos de princesa. A música My Girl era minha trilha sonora favorita. Ainda é. Você vai conhecer meu amor e vai entender tudo o que a música diz, é a tradução do que sentimos por você.

Sonhamos com a sua chegada, com as manhãs cheias de beijos e sorrisos. Eu sonhava acordada imaginando você no meu colo. Aí você nasceu, assim: apressadinha. Queria chegar antes, passar o dia das mamães no meu colo, ser o primeiro signo do zodíaco, encantar o mundo, dar um baita susto na mamãe e no papai e nos transbordar de amor…

Você deu aquele choro tão esperado, tão abençoado, tão vivo. Eu não pude te ter nos braços imediatamente como havia sonhado, mas te beijei e te disse: mamãe te ama meu amor, já já vou te visitar. E te levaram para UTI. Lá você foi tão bem cuidada e amada. Mas confesso que a mamãe é chorona e até recebeu este apelido pelas enfermeiras da Uti Neo. Eu olhava pra você através daquele vidro, daquele Alo, eu queria te pegar, te abraçar, te beijar, te amar, te cuidar… mas tive que me contentar com aquele espaço entre nós e aí eu cantava pra você dormir. Falava baixinho sobre como você é linda e importante em nossas vidas. O papai também não conteve as lágrimas. Ele repetia “eu te amo” pra você todos os dias.

Meu amor, quando você finalmente veio para os nossos braços e abraços foi a sensação mais indescritível de todas. Seu cheiro, suas mãozinhas tão leves, pezinhos enrugadinhos, bochechinhas esmagantes… você era o nosso sonho. Mais que isso: forte, corajosa, linda e delicada.

Filha, você vai completar 7 meses dia 14 (7+7) de novembro. Dizem q o número 7 é mágico, sagrado. A bíblia diz que o mundo foi criado em 7 dias, temos as 7 maravilhas do mundo, os 7 mares, o manifesto das 7 artes e até os 7 anões que você também vai conhecer.

Está sendo mágico ter você nos braços e você é sagrada para nós. Vamos te amar todos os dias, pular na cama com você, te encher de beijos ao acordar, te educar e fazer você se sentir a pessoa mais amada desse mundo. Você está crescendo lindamente e vamos acompanhar cada passo. Você vai crescer e crescer… mas saiba que jamais se sentirás triste ou sozinha enquanto estivermos por perto. Nossas mãos estarão sempre estendidas e nossos corações prontos pra te acolher em todos os dias de nossas vidas.

Obrigada por sete meses de puro amor. Te amamos do tamanho do céu!

Com amor, beijos da mamãe e do papai.”

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O amor chegou mais cedo!

6 maio

Estou de volta amigas, leitores e mamães. Vou fazer um pequeno resumo do que aconteceu e compartilhar, com aqueles que entendem ou não, o susto no dia que a Julinha nasceu e essa sensação doida de ser mãe. Mãe tem poder!

Até então, book de gestante marcardo para 16 de abril, afinal, Júlia nasceria dia 21 de maio, mas resolveu passar o dia das mães coladinha em mim. Quadrinho do quartinho por fazer, lembrancinhas da maternidade para encomendar, malinha do bebê para arrumar, pijamas para comprar, mosquiteiro para chegar… e antes de tudo isso, lá vem ela, gordinha, espertinha, linda de viver…

A notícia

Era uma sexta-feira quando me senti desconfortável o suficiente para ir até a maternidade falar com o médico. 1h do dia 14.04 o médico pegou a chave da Materno Fetal e fez o ultra. A bolsa tinha rompido. Como? Até agora não sei nem quando, nem como. Fui para o parto de emergência. Eu e o Rafa tremíamos como crianças pequenas perdidas dos pais, como se tivéssemos sido abandonados no deserto de Saara. Quando o médico falou que eu não poderia mais sair da maternidade de jeito nenhum eu já estava soluçando e pensando “Meu Deus, ainda falta um mês e meio para minha filha nascer, e agora?” E as coisinhas dela? E o soluço era mais alto que qualquer barulho ao redor.

O médico falou: “Mãezinha, você tem que ficar. Avisem os avós. A Júlia tem 34 semanas e está grande e forte. Se ela chorar ao nascer, vocês, papai e mamãe, poderão vê-la, se não chorar, vamos levar imediatamente para UTI NEO.”

Todos muito amados e atenciosos, na maternidade Santa Helena, nos prepararam e meu GO me acompanhou em cada segundo. Um casal de amigos, Rafa e Débora de imediato levaram a máquina fotográfica, roupinhas de prematuro, mantas, fraldas etc… Além do apoio que o meu Rafa recebeu no momento de seu grande amigo que não tem como explicar. Chamamos os pais e irmãos, mesmo não podendo acompanhar o nascimento. Todos nervosos, é claro.

O nascimento

Rafa, paizão nervoso, todo amado, preparou a máquina fotográfica para o momento do parto. A Júlia nasceu. E a melhor parte: ELA CHOROU, E MUITO! E eu pude beijá-la (rapidamente) antes de levarem para UTI NEO. 2.605kg e 46cm. O suspiro que dei é indescritível… o que senti, nem se fala…

A frase do pediatra: “Ainda bem que essa menina chegou agora, porque ia vir uma baita!” Fato! Eu já sentia uma canseira desleal…

Ir para o quarto sem a minha filha… uma sensação de vazio, amor, vazio… Nós (pai e mãe) podíamos visitá-la livremente. E logo que passou a anestesia da cesárea, tomei banho e desci. Os pediatras, enfeirmeiras, outros pais, bebês… a solidariedade na UTI nos surpreendeu. Todos amáveis e acabamos nos apegando também. Cada bebê com sua histórinha e com aquela força incrível de querer viver. Isso é mágico.

Recebi alta e fui para casa, com o coração em prantos. Mas eu e o Rafa só jantamos e logo voltamos para UTI (aquelas picadinhas, sorinho, sondinha, doía tanto…) ficar até não aguentar mais de sono… Uma semana depois de estar internada recebemos a notícia de que Júlia iria subir (para o quarto). Segundo parto. Segunda alegria maior do mundo depois do choro do meu amorzinho.

Eu e o Rafa não sabíamos nem como agir de tanta alegria. Era imensidão. E ele pegou o telefone para ligar e avisar a família quando a médica na mesmo hora faz uma advertência: “Pra quem você está ligando? Só avós né? Agora só parentes de primeiro grau podem visitar, de dois em dois, lavando as mãos com alcool e qualquer indício de gripe ou resfriado, mantenha longe. Ela é prematura, não esqueçam. Visitas só daqui um mês.”

Quem nos ama entendeu tudo, todo o processo desde o início. Recebemos muito apoio, amor, carinho, através de mensagens, ligações, cartinhas e mimos durante essa fase tão difícil e, agora, só de amor.

O meu pós

No meu coração, uma mistura de sentimentos. Assim como profissionais explicaram: “Bem intencionadas, as pessoas vão dizer: “Não liga para isso, seu bebê está aqui forte e saudável e é isso que importa”. Sim, você sabe que é isso o que interessa, mas a alegria pelo bebê não tira o seu direito de estar triste por não ter tido uma experiência emocionante e profunda na hora em que seu filho nasceu e os preparativos que sonhava.

Hoje, estou administrando isso melhor, é difícil, mas quando olho pra minha filha, é tudo pleno, completo. E tudo que eu quero são pessoas do bem ao seu redor. Que sejam positivas, falem coisas boas, que lá no seu sub e inconsciente só entrem palavras de amor, carinho e alegria. A vida já mostrou desde o início, pra ela, que não é fácil. Então, que nós, seres humanos, possamos mostrar o melhor da vida, o amor.

Porque você que é mãe sabe: AMOR MAIOR NÃO HÁ!

E agora vou voltar pra minha Ju porque já fiquei com saudades…

Viram? Mãe tem poder! #fato

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