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Ansiedade X “curte muito cada momento porque voa”

2 set

Escuto desde a gestação a mesma frase: “curte muito cada momento porque voa”. É tão verdade que eu virei uma daquelas chatas que repete isso para as amigas também. Na verdade, talvez eu nem precisasse ter escutado tanto. Vou contar:

Vejo algumas amigas dizendo que não aproveitaram tanto o primeiro ano de vida do bebê pelas ansiedades que as rodeavam. Ver logo o bebê sentar, engatinhar, comer, andar, falar… Não nego que “falar” sempre foi uma grande expectativa pra mim. Mas quanto ao resto, deixei fluir naturalmente. Nunca fiz questão de acelerar o tempo ou a fase da minha filha pra nos surpreender. Nunca desejei que ela se alimentasse com pedaços grandes de comida antes da hora certa dela. Também não forcei que caminhasse, apesar de algumas pessoas pentelharem com comentários : – nossa, minha filha começou a andar com 10 meses.  –  ela ainda não anda?  – mas você treina ela? blá blá blá…

Sempre fui o exemplo da ansiedade em pessoa. Meus amigos me conhecem e sabem disso. Minha família então… Sempre quis tudo pra ontem. Imagina então quando inventei de fazer pintura em tela! Era tinta a óleo e precisei treinar muito a paciência nesse curso, mas desisti. Pintei só umas 3 telas. A minha professora, já senhorinha, ria de mim com as outras senhoras que também faziam o curso. Sim, eu tinha 20 anos e elas acima de 60 hehehe  (quem não sabe, tinta a óleo demora pelo menos uma semana pra secar e tem que ser feito em partes). Eu adorava me meter nessas coisas. Terminei a faculdade de jornalismo em 2001, já me meti numa pós graduação em gestão de pessoas e em seguida um MBA em Mkt. No meio disso eu trabalhava em dois empregos, vendia chocolate em caixinhas que eu personalizava, brincos que eu produzia e perfumes do Contém 1G, lembram deles? ehehehhe

Pois é! Não conseguia parar e queria ver tudo acontecer. Os anos passaram e com eles muitas dessas vontades. E foquei apenas no profissional. Passaram mais alguns anos…

Aí nasceu minha filha, ou melhor, renasceu a minha vida.

Como já contei por aqui, ela foi direto para UTI Neonatal. E a ansiedade (essa danada que cega muita gente) disparou na minha frente. No primeiro dia, após cessar o efeito da anestesia, voei para a UTI e passei o primeiro dia falando para minha filha: – meu amor, a mamãe te ama muito, estou te esperando aqui e doida pra te abraçar. Força!

no segundo dia repeti: – meu amor, a mamãe te ama muito, estou te esperando aqui e doida pra te abraçar. Força!

Fui para a capela da maternidade orar e pedir saúde ao meu anjinho. Até que me veio uma luz que mudou tudo:

– Rejane, por que você está pedindo para ela ser forte? Tenha calma, ela precisa desse tempo para se fortalecer. Entra nesse tempo com ela e, simplesmente, diga que a ama.

Disparei (não sei como) para a UTI, troquei minhas roupas, lavei a mão, fui até ela e disse:

– meu amor, me perdoa. não precisa ser forte. eu te amo muito e estarei aqui te esperando até você estar prontinha pra ficar com a mamãe.

Aprendi assim, desde o início de seus dias, a não ser ansiosa com minha Júlia. Desde o primeiro momento que a segurei, até hoje, eu amo zelar, cheirar, olhar, apreciar, brincar… E quando alguém me diz que sentirei saudades… eu já tenho certeza disso. Porque amo cada instante, cada mudança, cada desafio e até mesmo suas manhas.

Vou ser para sempre a amiga chata que diz: curte muito porque passa rápido.

Porque passa. Mas eu continuo curtindo, cada vez mais!

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